Vários amigos estão tirando seus LP’s do armário. Limpando o mofo verde, visitando os sebos do bairro e botando o velho toca-discos para funcionar. A venda de vinis tem crescido em até 40% para algumas gravadoras.
O que acontece?
Provavelmente as pessoas se cansaram da baixa qualidade de áudio dos MP3 players. LP’s bem gravados podem soar melhor do que CD’s (se reproduzidos em sistemas Hi-Fi). Porém não acho que este seja o motivo principal.Os ouvintes sentem falta de uma maior “conexão” com seus artistas preferidos, numa época de falsos ídolos, volatilidade, variedade sem qualidade.
Os álbuns de vinil trazem encartes, fotos, ficha técnica detalhada, letras de fácil leitura – uma série de extras que melhora a curtição da obra. Além disso, os discos tocam sem parar. Escutar somente uma faixa é como assistir apenas a um ato de Teatro – uma experiência incompleta. Curiosamente, o que mais fazemos com nossas músicas hoje em dia é pular, parar no meio, repetir, trocar de artista.
Quando foi a última vez que você se sentou para escutar um CD de cabo a rabo?
- Texo extraído do site “Audição Crítica”, por
Dennis Zasnicoff.

O Ministério da Cultura realizou na última quarta-feira, 30 de julho, uma visita à única fábrica de discos de vinil da América do Sul, a Polysom do Brasil, localizada no Rio de Janeiro. Na ocasião, representantes dos ministérios da Cultura e do Trabalho, da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares (ITCP) e do Instituto Brasileiro de Administração Municipal (IBAM) se reuniram para tentar encontrar uma solução para a reabertura da empresa.
Desde novembro do ano passado, o MinC vem acompanhando o caso da Polysom e avaliando os caminhos para a preservação do disco de vinil. Segundo Álvaro Malaguti, da Secretaria de Políticas Culturais (SPC/MinC), o que se pretende fazer é uma análise do que levou a fábrica chegar a esse ponto, identificar as necessidades e criar um novo modelo de gestão para retomar a fabricação dos discos.
O Ministério da Cultura quer discutir com a Associação Brasileira dos Festivais Independentes (Abrafin), soluções para a volta da produção dos discos de vinil e recuperação da fábrica de Lps. Nesta quinta-feira, 7 de agosto, será realizada uma reunião, durante o Festival Calango 2008 que acontece de 5 a 8 de agosto em Cuiabá, para discutir um projeto de reabertura da Polysom.
Segundo o presidente da Abrafin, Fabrício Nobre, o disco de vinil faz parte da cultura brasileira, pois sempre foi usado e agora está esquecido. “É um desperdício deixar de usar o LP, sendo que muitos países ainda usam. Estamos nadando contra a maré”. Fabrício disse ainda que a meta é reabrir a fábrica ainda esse ano, para que ela possa voltar a competir com o mercado nacional e internacional.
Localizada em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, desde a sua fundação, em 1999, a fábrica já chegou a imprimir 110 mil cópias de um só disco. O disco de vinil é uma mídia desenvolvida no início da década de 50. A partir do final dos anos 80 e início dos 90, a invenção dos CDs trouxe maior capacidade, durabilidade e clareza sonora, sob alguns pontos de vista, fazendo com que os discos de vinil fossem esquecidos e desaparecessem do mercado quase por completo.
No Brasil, os discos foram produzidos em escala comercial até 1996. Mas, até hoje, milhares de audiófilos ainda preferem o vinil. Para esses, o armazenamento da música é mais fiel ao som original, proporcionando, por exemplo, uma melhor distinção dos graves.
- Texto extraído do site do Ministério da Cultura.
E abaixo um excelente comentário de Joaquim M. Cutrim:
“Caros, na realidade no CD existe perda importante de harmônicos por causa do erro de quantização e do erro de dithering. 0 e 1 não conseguem, mesmo com altas amostragens (24 bits a 96 a.s) representar corretamente o sinal de áudio original que é jogado íntegro dentro de um vinil. Ex. Não existe 1,75 milivolts num nível de uma senóide digital. Só existe ou 1 milivolt ou 2 milivolts. Isso é muito importante! Consequentemente isso gera perda da parte grave que acompanha todas as notas, daí o som do CD, SACD, HD AAC, seja lá o que for digital, é puro, sim, mas é magro. Mais. CD não reproduz bem por essa mesma razão instrumentos de madeira, como piano de cauda, violão, viola, violinos e outros acústicos, uma vez que seu som é metalizado e com perdas. Agora o som que se pode extrair de um bom vinil (de 125g em diante, 140, 160, 180 ou 200 gramas, bem masterizado) fica cada vez mais excepcional quanto mais você investe dinheiro no equipamento. Um toca-disco Technics SL MK-II, um Rega, ou mesmo um simples TD 6000 Polyvox com uma cápsula a partir de 200 reais humilha qualquer CD mostrando a falta de encorpamento musical, de emadeiramento do som (John Vestman, eng° de áudio says…) e de aveludamento. A onda quadrada do digital é apenas pura, mas não tem realismo e nem profundidade de palco. A questão é que, quem fala mal do vinil é justamente gente que nunca dispôs de boas caixas de som e nem de um bom toca-discos casado com uma ba cápsula e até por isso, não treinou o ouvido, não tem referencial auditivo de comparação. Comparar toca CD e CD com Vinil e Toca-discos é o mesmo que comparar um fusca com uma Ferrari. A Ferrari é cara e precisa de muitos ajustes. Fusca é igual relógio, basta dar corda. (Mesmo assim, adoro o Fusca e ele é melhor do que o CD porque este pára sem te avisar – CD’s e toca-CD’s costumam ter morte súbita). E quanto aos estalos? A vida tem barulhinhos… Mas é que a maioria dos agressores do vinil não sabe lavá-los e nem conservá-los, (e vinil zero não chia nem estala!) e de nada entendem sobre cápsulas, braço e agulhas. TD e Vinil são como um instrumento: Requerem afinação para darem um som que só ao vivo será melhor.
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