MUSICA CONCRETA
Os aparelhos de música eletrônica surgiram no início do séculoX, no auge da inovação tecnológica. Em 1919, o físico russo Lev Theremin criou o primeiro instrumento destinado à música eletrônica, o Theremin, utilizado até hoje. Mas a história da música eletrônica tem seu marco inicial em 1948, na França, quando as primeiras composições eletrônicas foram executadas pela Radiodiffusion Française (RFT). Eram principalmente estudos musicais realizados por Pierre Schaeffer e consistiam em gravações de sons da natureza (ruídos, passos, vozes) remontados em estúdio. A essa música o próprio Schaeffer deu o nome de musique concrète.
Dois anos mais tarde, na Alemanha, surgiu uma outra corrente de experimentação, a elektronische musik. As técnicas de gravação e montagem eram semelhantes às utilizadas na RTF. Porém, aplicadas apenas em sons cuja origem também fosse eletrônica. Os adeptos dessa vertente insistiram por muito tempo em dizer que somente a música deles poderia ser considerada pura. “Os eletrônicos chamavam os concretos de primitivos, e estes chamavam os eletrônicos de artificiais”, conta o compositor Jorge Antunes, precursor da música eletrônica no Brasil. A briga durou até início dos anos 1960, quando foi realizado um congresso de música eletrônica e constatou-se que os novos compositores – os discípulos dos grandes criadores – começavam a misturar as duas vertentes em seus trabalhos. Nascia assim a chamada música eletroacústica.
UNDERGROUND
Dos anos 1960 para cá, diversas outras vertentes da música eletrônica surgiram. Houve a fusão com outros estilos musicais – como a MPB, no caso do Brasil – e uma música eletrônica mais voltada para o pop virou febre no mundo inteiro, tocada nas chamadas raves. Atualmente, quando se fala em música eletrônica, é comum pensar logo nesse som mais dançante e repetitivo. No entanto, é importante ressaltar que essa vertente é muito mais recente e diferente da música eletrônica nascida em meados do século XX. Seu principal objetivo é fazer as pessoas dançarem.
Com a invenção dos sintetizadores, no final dos anos 50, a música começou a ganhar contornos de experimentação e inovação que fazem o gênero eletrônico ter fôlego para ser o som do século.
À principio restritas a estúdios de gravação, essas máquinas evoluíram para o sistema digital com a possibilidade de serem programadas e terem ampla memória, como um microcomputador. Vinte anos separam os primeiros equipamentos de apenas um dispositivo dos digitais synclaviers, criados na década de 70. Outros vinte anos foram necessários para que a música sintética que sai dos computadores caísse no gosto popular. Do link de sintetizadores e samplers, que capturam qualquer tipo de som, saem os climas que são a principal características de todos os subgêneros criados até hoje – da House Music ao Jungle. Para fazer música eletrônica não é preciso sequer saber tocar um instrumento, embora são exigidas outras habilidades especiais. Estão aí Ed Simons e Tom Rowlands, os Chemical Brothers, gabando-se de que nem mesmo os autores sampleados são capazes de reconhecer suas obras depois que elas passam pelas mãos da dupla. A história conta que a House Music nasceu nos EUA na segunda metade dos anos 70, quando o DJ nova-iorquino Frankie Knuckles passou a comandar as noites do clube WareHouse, em Chicago. Influenciados por ele, outros DJS passaram a misturar beats eletrônicos com todo o tipo de música negra, do blues ao hip-hop. Nessa época, o mundo já conhecia os vocais computadorizados dos pioneiros alemães do Kraftwerk. No começo dos anos 80, a novidade se espalhou rapidamente – e muitas outras misturas vão acontecer até o fim do século.
O sucesso do gênero underground foi tanto que logo chegou ao mainstream. Hoje, eventos de música eletrônica movimentam na Europa muitos milhões de dólares e são patrocinados por grandes empresas. É o caso da festa alemã MayDay que reúne mais de 40 DJs! O Glastonbury, festival famoso desde à época dos hippies, também vem reservando em suas últimas edições um grande espaço para os beats eletrônicos de Trance, House, Jungle, Trip-Hop, atraindo várias tribos para a festa de verão que dura três dias, perto de Londres. Há ainda um grande evento dedicado ao gênero: O Tribal Gathering, que acontece a 1h30 de Londres, by Train e 40 mil pessoas puderam apreciar ao “vivo” o veterano Kraftwerk.
Nos anos 90, a facilidade de acesso à tecnologia e a evolução dos instrumentos multiplicaram selos e artistas de música eletrônica, sempre com DJs como personagens principais. Entre as novas estrelas do cenário da música mundial estão os Ingleses The Prodigy, o Daft Punk e os Chemical Brothers, autores de Dig Your Own Hole, segundo a Rolling Stones, um dos 200 discos essenciais de todos os tempos. Artistas como Bono Vox, do U2, e David Bowie também se renderam às influências do gênero.
No Brasil, foi somente em 1997 que o Techno deixou de ser consumido por um pequeno segmento de frequentadores de clubes e pessoas privilegiadas para chegar ao grande público.
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